sexta-feira, 8 de junho de 2007

Berlim

Eu já fui à Alemanha antes, e a Berlim.
Em 86 eu comecei a estudar alemão no Instituto Goethe de Curitiba. Acho que o pessoal do Instituto ficou impressionado por eu me meter nesse estudo sem nenhum motivo externo, a maioria dos estudantes ia lá por algum motivo profissional e eu não tinha nenhum, ao menos nenhum motivo direto. Isso, e eu rapidamente me tornar amigo de muitos professores, especialmente da Ingrid von der Weihe, desde então minha grande amiga e mentora nesse assunto. Tudo isso juntou-se em uma oferta de bolsa parcial para um curso intensivo de férias em qualquer Instituto Goethe da Alemanha, eu pagaria minhas passagens e manutenção e eles me dariam o curso. Como tinha algum dinheiro guardado, fui.
Escolhi Berlim por ser uma metrópole, em padrões europeus - cerca de três milhões de habitantes, o tamanho da Grande Curitiba - e por sua história recente, desde a Primeira Guerra. Eu queria muito entender como a mais alta cultura humanística ocidental pudera criar um fenômeno como o nazismo. Desde então acho que já entendi, ao menos em parte, é de se esperar que um assunto como esse tenha mesmo uma infinidade de facetas, cada uma delas exigindo um esforço grande de estudo e compreensão. Aos poucos devo falar sobre isso neste blog.
Desde o fim da última guerra até outubro de 89, com a queda do muro, Berlim foi uma cidade ocupada. Do lado oriental era a capital do país comunista de maior renda per capita do mundo, e do ocidental era uma vitrine do capitalismo dentro do comunismo. Os dois lados competiam - ainda que a DDR não tivesse todo o dinheiro que o lado ocidental tinha - mas em 93, por exemplo, ainda haviam oito ou nove orquestras sinfônicas estáveis e com programação regular, um absurdo, por qualquer padrão. Afora a quantidade igualmente absurda de museus riquíssimos e maravilhosos, como o Museu de Pergamon ou o Bodemuseum.
Além disso havia algo no status de Berlim que quase passava despercebido: não havia Estado alemão em Berlim ocidental, o berlinense, portanto, não era oficialmente alemão, mas... berlinense. Tinha passaporte de Berlim, e não alemão (ainda que fosse obviamente reconhecido como tal na Alemanha Ocidental). Se revermos os textos oficiais sobre a Alemanha Ocidental da época, notaríamos que falava-se em "Alemanha Ocidental e Berlim", mencionando esta separadamente.
Como também não havia força militar alemã em Berlim, não havia serviço militar, e a cidade tornou-se refúgio de intelectuais, artistas, pacifistas e opositores de consciência. Um caldo cultural interessantíssimo, e isso se mostrava claramente na cidade, altamente intelectualizada, a despeito de sua situação tão especial.

2 comentários:

Ana Maria disse...

Quando você digerir e entender o surgimento do nazismo me explica tá!
Tem algo a ver com o final da 1º Guerra Mundial e as péssimas consequências para o povo alemão, eu sei, mas ainda não dá prá entender.

Na lista você disse que a conexão tá dificil por ai, você vai conseguir m andar fotos? Espero que sim.

Como está o clima? Vai visitar museus?

Abraços

Unknown disse...

Grande Zeca,
Bela história que vamos acompanhar juntos. Sempre que postar alguma novidade avise na lista.
Mande fotos e muito sucesso e parabéns por conseguir realizar seus sonhos, isto é uma dádiva.
Abraços
Majella