Eu já fui à Alemanha antes, e a Berlim.
Em 86 eu comecei a estudar alemão no Instituto Goethe de Curitiba. Acho que o pessoal do Instituto ficou impressionado por eu me meter nesse estudo sem nenhum motivo externo, a maioria dos estudantes ia lá por algum motivo profissional e eu não tinha nenhum, ao menos nenhum motivo direto. Isso, e eu rapidamente me tornar amigo de muitos professores, especialmente da Ingrid von der Weihe, desde então minha grande amiga e mentora nesse assunto. Tudo isso juntou-se em uma oferta de bolsa parcial para um curso intensivo de férias em qualquer Instituto Goethe da Alemanha, eu pagaria minhas passagens e manutenção e eles me dariam o curso. Como tinha algum dinheiro guardado, fui.
Escolhi Berlim por ser uma metrópole, em padrões europeus - cerca de três milhões de habitantes, o tamanho da Grande Curitiba - e por sua história recente, desde a Primeira Guerra. Eu queria muito entender como a mais alta cultura humanística ocidental pudera criar um fenômeno como o nazismo. Desde então acho que já entendi, ao menos em parte, é de se esperar que um assunto como esse tenha mesmo uma infinidade de facetas, cada uma delas exigindo um esforço grande de estudo e compreensão. Aos poucos devo falar sobre isso neste blog.
Desde o fim da última guerra até outubro de 89, com a queda do muro, Berlim foi uma cidade ocupada. Do lado oriental era a capital do país comunista de maior renda per capita do mundo, e do ocidental era uma vitrine do capitalismo dentro do comunismo. Os dois lados competiam - ainda que a DDR não tivesse todo o dinheiro que o lado ocidental tinha - mas em 93, por exemplo, ainda haviam oito ou nove orquestras sinfônicas estáveis e com programação regular, um absurdo, por qualquer padrão. Afora a quantidade igualmente absurda de museus riquíssimos e maravilhosos, como o Museu de Pergamon ou o Bodemuseum.
Além disso havia algo no status de Berlim que quase passava despercebido: não havia Estado alemão em Berlim ocidental, o berlinense, portanto, não era oficialmente alemão, mas... berlinense. Tinha passaporte de Berlim, e não alemão (ainda que fosse obviamente reconhecido como tal na Alemanha Ocidental). Se revermos os textos oficiais sobre a Alemanha Ocidental da época, notaríamos que falava-se em "Alemanha Ocidental e Berlim", mencionando esta separadamente.
Como também não havia força militar alemã em Berlim, não havia serviço militar, e a cidade tornou-se refúgio de intelectuais, artistas, pacifistas e opositores de consciência. Um caldo cultural interessantíssimo, e isso se mostrava claramente na cidade, altamente intelectualizada, a despeito de sua situação tão especial.
sexta-feira, 8 de junho de 2007
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Diários de Bicicleta
Olá pessoal, esse é o meu primeiro post no meu primeiro blog, e quero explicar porque comecei a fazê-lo. Este será especificamente meu blog de viagem, de minha próxima viagem à Alemanha, onde vou passar os próximos três meses.
Há muito tempo eu estudo alemão, há mais de vinte anos. Comecei a estudar apenas por curiosidade, já sabia francês e inglês e queria aprender outras línguas (ainda pretendo aprender italiano e quem sabe latim ou alguma língua oriental, mas essas serão outros blogs...), então vi o alemão como um desafio - não me decepcionei! 8^)P
Claro que há outros motivos, muitos; sou músico, toco em uma orquestra sinfônica, e acho que uns 80% dos autores que tocamos são alemães, e talvez uns 95% de meus prediletos, Beethoven, Schubert, Schumann, Brahms, Mendelssohn e tantos outros. Também gosto muito de Lieder, a canção erudita típica do período romântico alemão, e quis entender as letras; também gosto demais de todo o Romantismo alemão, e a cultura humanística alemã é fascinante. Sempre me emocionei e emociono com a poesia de Goethe e Schiller, aprender alemão foi uma das melhores coisas que me dei na vida, um de meus (poucos) grandes acertos. Bem, mesmo tendo já lido muitos grandes autores alemães, os clássicos, sinto que ainda não domino com segurança a língua. Me falta um tempo que passe lá, para sedimentar meus conhecimentos e ganhar desenvoltura. Este é meu primeiro motivo para ir à Alemanha.
Outros motivos são que agora acabei de me formar bacharel em Música Popular (pela FAP:), e minha filha, Camila, que até agora morava comigo, mudou-se para São Paulo, para estudar lá. Mora agora com minha mãe. Então agora acabaram-se duas fases de minha vida, como estudante universitário e como pai. Ok, sei que ser pai nunca acaba, e desconfio que ser universitário também...
Há muito tempo eu estudo alemão, há mais de vinte anos. Comecei a estudar apenas por curiosidade, já sabia francês e inglês e queria aprender outras línguas (ainda pretendo aprender italiano e quem sabe latim ou alguma língua oriental, mas essas serão outros blogs...), então vi o alemão como um desafio - não me decepcionei! 8^)P
Claro que há outros motivos, muitos; sou músico, toco em uma orquestra sinfônica, e acho que uns 80% dos autores que tocamos são alemães, e talvez uns 95% de meus prediletos, Beethoven, Schubert, Schumann, Brahms, Mendelssohn e tantos outros. Também gosto muito de Lieder, a canção erudita típica do período romântico alemão, e quis entender as letras; também gosto demais de todo o Romantismo alemão, e a cultura humanística alemã é fascinante. Sempre me emocionei e emociono com a poesia de Goethe e Schiller, aprender alemão foi uma das melhores coisas que me dei na vida, um de meus (poucos) grandes acertos. Bem, mesmo tendo já lido muitos grandes autores alemães, os clássicos, sinto que ainda não domino com segurança a língua. Me falta um tempo que passe lá, para sedimentar meus conhecimentos e ganhar desenvoltura. Este é meu primeiro motivo para ir à Alemanha.
Outros motivos são que agora acabei de me formar bacharel em Música Popular (pela FAP:
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